segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mineiridade Griot





Espetáculo apresentado pelos compositores mineiros Jorge Dikamba, Marcos Catarina, Miriam Avelino e Lu Daiolla, que propõem uma abordagem conceitual da canção mineira tendo como ponto referencial a oralidade africana, evocando o griot ancestral que se manifesta em suas performances cotidianas, nos palcos e fora deles. Suas obras refletem as peculiaridades regionais em constante e intenso diálogo com a macrourbanidade da metrópole que, aglutinadora, tanto projeta quanto ofusca singularidades. Estudiosos da História, transmissores de conhecimentos e inventores de mundos, histórias e causos e interligados pela força da ancestralidade negra e por similaridades em seus processos criativos, estes artistas tornaram-se parceiros produzindo uma música quase artesanal, rica de significações e possibilidades melódicas e rítmicas. Em seus projetos individuais atuam como arautos de uma mesma realidade cultural, plural e rica em seus múltiplos contextos, cujo elo comum remete em essência à diáspora africana com seus desdobramentos interculturais, refletindo em suas obras as peculiaridades regionais referenciadas na herança africana e no pluralismo presente na mineiridade.

terça-feira, 25 de março de 2014

Cantoria na Casa de Guimães Rosa



Cantoria de Andejar, recital do compositor Jorge Dikamba, nas comemorações de 40 anos do Museu Casa Guimarães Rosa

O Museu Casa Guimarães Rosa comemora quarenta anos de existência. Vinculado à Superintendência de Museus do Estado de Minas, foi fundado em 29 de março de 1974 e funciona na casa onde o escritor nasceu e passou a infância. Localizado na Rua Padre João, esquina com a Travessa Guimarães Rosa, na casa funcionou o comércio do “seu Fulô”, pai do escritor, até cerca de 1923. Após pertencer a vários donos, tendo sido bar e casa de jogos, foi adquirida pelo Estado em 1971 e doada ao recém-criado Iepha-MG para nela ser instalado o Museu.

Concebido como centro de referência da vida e obra do escritor, o Museu preserva um acervo que registra de sua trajetória como médico e diplomata, objetos de uso pessoal, vestuário, utensílios domésticos, mobiliário e fragmentos do universo sertanejo descrito por Guimarães Rosa, além de documentos textuais (certidões, correspondência recebida e emitida, documentos escolares), artigos em periódicos, discursos e originais manuscritos e/ou datilografados de seus escritos.
Jorge Dikamba, compositor e cantador, é um legítimo representante da diversidade cultural mineira. Sua música caracteriza-se por somar melodias bem elaboradas e uma poesia concisa e plena de significados à sonoridades dos tambores bantos, das bandas de música, das violas dos folguedos e das conçonetas de salão.
O recital Cantorias de Andejar traz a público obras que mesclam elementos da música erudita e da cultura popular, abordando temas presentes no imaginário mineiro, com reminiscências melódicas e literárias do barroco mineiro e do regionalismo brasileiro, tendo como referência a obra de Guimarães Rosa, numa clara homenagem àquele que foi um dos mais importantes escritores brasileiros. As canções, valsetas, tiranas e trovas remetem aos sertões rosianos, à historicidade das povoações e às paisagens abertas e multiformes dos Gerais, tendo sido comparadas à obra do baiano Elomar Figueira Melo, suma referência para todos os cantadores do país. 
No recital o sertão onipresente na obra de Guimarães Rosa se apresenta poeticamente como pano de fundo para romances e desditas, compondo uma ode à gente mineira e à sua cultura. O destaque é para o trecho que o cantador sub-intitula “trilogia do sertão”, com obras que retratam três momentos da vida de um jagunço tal qual os eternizados por Rosa em Grande Sertão: Veredas, alem de incursões pela cultura do Jequitinhonha, com sua sonoridade toda peculiar.
Serviço
Jorge Dikamba em “Cantorias de Andejar
Museu Casa Guimarães Rosa
Rua Padre João, 744 Centro Cordisburgo MG
Dia 29 de março de 2014 às 20h00
Entrada franca
Informações: (31) 3715-1425  http://aamcgr.blogspot.com.br
jorgedikamba.blogspot.com